De leigo para leigo – Análise de Neverwinter Nights 2

Caixinha de Neverwinter Nights 2

Caixinha de Neverwinter Nights 2

Tenho certeza que 5 em cada 10 gamers, se escutarem ou lerem a abreviação RPG, a primeira coisa que virá às suas cabeças será uma bandeira branca com uma bola vermelha bem no meio dela. Três desses gamers vão imaginar uma Rocket-propelled Granade, e apenas um vai se lembrar de algo parecido com The Elder Scrolls ou Diablo, apesar da “famosidade” principalmente desse segundo grande game.  No entanto, muito poucos vão se lembrar de Neverwinter Nights, que é um dos melhores games de rpg já feitos.

Isso é resultado do quase monopólio que se criou sobre os RPG’s, gênero dominado quase que totalmente pelos japas, que sempre fizeram trabalhos excelentes. Não dá pra negar que Final Fantasy é fantástico, Dragon Quest é monstruoso e Star Ocean é um mar de brilho não só dentro do gênero dos RPG’s, mas também dentre todos os games, já que são tidos como exemplos de como “fazer” jogos de modo a desenvolver todas as potencialidades que um game pode ter.

Apesar disso, os desenvolvedores norte-americanos e europeus, vendo esses japoneses rachando de ganhar dinheiro, também começaram a investir neste ramo gamístico e, depois de The Elder Scroll e Diablo – que não alcançavam de modo algum a qualidade atingida por esses clássicos japoneses, como DQVII, Xenogears e FFVII – finalmente conseguiram fazer RPG’s bons-pra-caramba, como Diablo II, Morrowind e Neverwinter Nights, este com certeza o mais completo e complexo de todos eles. Pois Neverwinter Nights 2 é sucessor do primeiro game, e continua sendo um RPG com batalhas em tempo real baseado em D&D, agora produzido pela Obsidian, e editado pela Atari, bem como mantendo a mesma qualidade de seu predecessor.

NwN2 é baseado em D&D não só em seu enredo, design de personagens e paisagens, enfim, o que caracteriza de fato o jogo é a mecânica de batalha que utiliza-se do mesmo sistema de agilidade, defesa, ataque, força de vontade, resistência, etc., utilizado nos joguinhos da Wizards of the Coast. Assim, quando se joga Neverwinter 2, na verdade se está jogando D&D com o seu PC jogando dados para você, em que seu personagem terá uma “sorte” pré-determinada que influenciará no resultado final. A versão utilizada no game é a de D&D 3.5, com aquele dadinho de 20 lados usado para ataques, utilização de perícias e coisas do tipo. Enfim, vai ser o pc que vai jogar os dados virtualmente mesmo.

Alguns exemplos de guerreiros em NwN2.

Na ordem: Conan, Prof. Charles Xavier, Frodo e Diana da Caverna do Dragão.

É o jogador quem deve construir seu personagem do modo como bem entender, mais ou menos como vemos em Oblivion e Fallout 3, figurinhas conhecidíssimas pela galerinha, mas aqui, a coisa é mais detalhada e poderá ser exercida de modo mais profundo e dedicado. Existem SETE raças que se desdobram em várias sub-raças: Humanos; Planetouched, mestiços de homens e anjos ou demônios (Aasimar, que tem sangue de anjo, e Tiefling, com sangue de demônios); Elfos (Elfo da Lua, Elfo Negro, Elfo do Sol e Elfo da Floresta); Anões (Anão do Escudo, Anão Dourado e Anão Cinzento); Gnomos (Gnomo das Rochas e Gnomo das Profundezas); Halflings (Halfling Pés Ligeiros e Halfling Austéro); Meio-Efos; e Meio-Orcs. cada uma dessas raças e sub-raças possuem características únicas e, apesar da liberdade de escolha na montagem do personagem, é muito mais fácil e eficiente conseguir tornar um Wood-Elf um Arcane Archer, que um Moon-Elf, carinha que seria bem melhor como um Arcane Trickster.

Um duelista!

Um duelista!

As classes de personagens também são numerosas, e o mais interessante é a possibilidade de evoluí-las para as chamadas Classes de Prestígio. Assim, temos doze classes iniciais para escolher: Bárbaro, Bardo, Clérigo, Druida, Guerreiro, Monge, Paladino, Ranger, Ladino, Feiticeiro, Bruxo e Mago. Essas classes, por sua vez, podem, se o jogador quiser, evoluir para as seguintes Classes de Prestígio: Arqueiro Arcano, Trapaceiro Arcano, Assassino, Algoz, Campeão Divino, Duelista, Anão Defensor, Cavaleiro Arcano, Bárbaro Frenético, Agente Harpista, Discípulo do Dragão Vermelho, Mestre Pálido, Ladrão Sombrio de Amn, Dançarino das Sombras, Devoto da Guerra e Mestre das Armas. UFAAA. Essas dezesseis Classes de Prestígio são as que possuem os melhores poderes, e são resultado do caráter do personagem, de sua raça e de suas perícias e talentos. É muita coisa.
King of Shadows e o feiticeiro.

King of Shadows e o feiticeiro.

Bem, então é só você escolher a raça que lhe agrada, a classe com a qual tem mais afinidade e depois evoluir seu personagem até que ele vire um guerreiro lendário, pois é o que está planejado no enredo. A historinha de NwN2 não tem nada demais, é a típica aventura de um órfão criado por elfos que acaba tendo sua vila, localizada em Sword Coast – Faerûn, atacada por uma força desconhecida e sombria. A bola da vez é o King of Shadows, que quer tornar o mundo uma grande e escura noite. Em linhas bem gerais (porque não tem base ficar contando detalhe de enredo, ainda mais de um RPG), o jogador começa o game sem a mínima noção da periculosidade dos acontecimentos, lá pelo meio do game descobre que está diante praticamente do apocalipse, caso não derrote o bruxo maldito que quer ressuscitar o bicho, e lá pelos finalmentes, tem a opção de ajudar o bem ou o mal. Dentro dessa Quest principal existe a opção de fazer várias outras missões paralelas, só pra dar uma descontraída, mais ou menos como ocorre com Oblivion e Fallout 3.

O mais legal e interessante, além do desenvolvimento ultra detalhado do personagem, é que o jogador ganha prestígio e fama durante o jogo, ganhando até um título de nobreza que lhe dará a oportunidade de comandar um castelo todo. Com isso, o personagem poderá recrutar outros NPC’s e montar um exército particular (mais ou menos como em Dragonshard, não como em Total War hehe) para fazer quase tudo o que quiser: ser um cara neutro, ou bondoso como um anjo, e até um demônio encarnado, uma ameaça maior que o próprio King of Shadows.

O mundo de Neverwinter Nights.

O mundo de Neverwinter Nights.

Os controles são exercidos primordialmente pelo mouse, com três tipos de câmeras (exploração, que é panorâmica; estratégica, ideal para controlar vários personagens em alguma batalha, mas só passa a ser mais utilizada quando se consegue o castelo; e individual, em que o jogador controla o personagem como em um misto de FFXII e TPS’s, podendo olhar pra todo o canto e andar usando W-A-S-D) e para quem está acostumado com PC’s, não há grandes problemas ou desconfortos. Os gráficos dependem muito da “força” do PC, mas, o jogo é bem pesadinho e só com um PC top é possível jogá-lo com gráficos excelentes,  mas, como a arte de Neverwinter Nights 2 é toda baseada em D&D, mesmo jogando “no médio”, o game é bonito, então não tenho como falar mal, a não ser por algumas animações meio estranhas. A trilha sonora é excelente, com músicas à Senhor dos Anéis e uma dublagem competente, sem esquisitices ou coisas do gênero. Só posso dizer que, definitivamente, é um jogo que vale muito a pena em razão de sua riqueza de detalhes e fidelidade ao sistema e estilo D&D, além, é claro, dos gráficos bons, enredo cativante, ainda que simples, e sonoridade apurada. É um símbolo para o gênero. Obrigado por lerem e desculpem algum erro de português!
 
 
Nota:
 
Gráficos: 9,0
 
Som: 10,0
 
Jogabilidade: 8,5
 
Enredo: 8,5
 
Média: 9,0
 
Observação 1: Esta modesta análise (se é que assim pode ser chamada) trata somente a respeito da quest original do game. As expansões Mask of the Betrayer, Storm of Zehir e Mysteries of Westgate eu não tenho hehe. O máximo que eu faço é atualizar o game. Aliás, em razão de uma atualização, pouco tempo depois de escrever isso aqui, vi que surgiu mais uma classe de prestígio chamada Neverwinter Nine, dando ao todo, então, 17 Classes de Prestígio. Não sei quando ela foi inserida pois já fazia alguns meses que não atualizava. Enfim, é isso. Qualquer coisa eu volto fazendo um aditamento hehehe…
 
Observação 2: Minha próxima análise vai demorar um pouco (não vai ser quarta que vem, nem na outra, e acho que nem daqui um mês, pois será sobre The Witcher, um jogo polonês, e eu ainda estou no começo do game, e não tenho muito tempo de jogar hehe. Mas, o jogo é tão bom que me fez comprar os dois livros sobre a história do protagonista, Geralt Rivia. Só sei dizer que o game é muito foda mesmo, pelo menos até agora. Mas sei que dificilmente vou me decepcionar. Então quando eu terminar, eu escrevo a análise sobre o game.

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